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Maria Nicanor

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04 fevereiro 2011



Olá Pai, 
Resolvi escrever para ti e não, não foi para te dizer que tenho saudades tuas. Porque não tenho, e se dissesse que sim, estaria a mentir e eu não sou como tu.
Lembraste de mim? A filha que concebeste? Não te lembres, por favor.
Estás feliz, nesse mundo onde vives?
Pergunto-me como consegues dormir à noite, com tudo o que fizeste. Espero que tenhas muitos pesadelos e que eles te assombrem por toda a tua vida.
"Lembraste de quando eras um herói para mim?" Isto é apenas uma memória perdida entre muitas outras.
Nunca te conheci de verdade sabes? Só conheci as tuas mentiras, as tuas invenções, o teu jogo psicológico..
Nunca serei capaz de te perdoar, por tudo o que fizeste à minha mãe nem pelo que me fizeste a mim. Eu era uma criança, e o que fizeste não se faz.
Lembraste quando a avó me pediu que recomeçássemos de novo a nossa relação de pai e filha? Disse-te que não. Tinha 10 anos. Como é que se pode recomeçar algo que já não existe?
Sabes que te odeio, e também sabes que "só é possível odiar alguém que já se amou". Não nego isto.
Não sinto a tua falta, quero que permaneças o mais longe possível.
Nunca poderás voltar a ser o meu "Papá". Nunca poderás ser o meu pai, porque nem sequer Homem consegues ser.

Com  votos de que o karma de tudo o que fizeste se volte contra ti,
Inês


P.S: Acabei com o desafio das cartas.
Esta não faz parte do desafio.
14 ♣


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